Sobre a infestação de grilos em São Paulo do Potengi.
Há
tempos tenho visitado a cidade e não tenho sossego à dormida. Uma infinidade de
grilos enfiados em todos os buracos da casa, no telhado e voando sobre, batendo
em paredes, TV, estante, um ‘cri cri’ que não acaba mais. Pensei em
localização, minha casa está bem próxima do rio, local de reprodução e eclosão
dos ovos do animal. Porém, tenho visto parentes dos entes visitantes de minha
casa muito bem posados em fotos nas redes sociais de meus conterrâneos. Com
base nas disciplinas de Ecologia de Restauração, Ecologia da Conservação,
Ecologia de Paisagem, Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto, montei um
pequeno esquema que tenta mostrar o porquê da infestação de grilos em São Paulo
do Potengi, no meu ponto de vista.
Aqui
está a cidade de São Paulo do Potengi a 1000 pés (A) com imagem de satélite da
Google, se olharmos na parte inferior da imagem, veremos a marca Google com o
ano de 2013, esse ano se refere ao momento em que o link foi lançado, porém as
imagens são antigas, deduzo que de 2000 a 2002, isso é perceptível, pois a
barragem (a oeste) não está com toda essa capacidade atualmente:
Se
dermos um zoom e diminuirmos a distância para 500 pés, podemos perceber a leste
o Rio Potengi (faixa azul com contorno branco) e o centro da cidade a oeste.
Destaco 3 quadros: 1) área de residências novatas construídas por Paulo e a
Maré Mansa Casa Show construída há algum tempo; 2) O IFRN construído recentemente
e; 3) Um novo loteamento, com o solo exposto atualmente. O círculo azul se
refere a uma área alagada no Bairro Santa Clara.
Bom,
destaquei essas áreas para mostrar o impacto antropogênico local. Primeiramente
o rio, que atualmente está com baixa capacidade de água e é explorado pela sua areia para construções. Em seguida as áreas 1, 2 e 3 que são áreas modificadas
há pouco tempo (dez anos), também para construções e desenvolvimento econômico e
social da cidade e, o círculo azul, é uma área alagada que está sendo aterrada
e eu não consigo entender o porquê. Esses são possíveis focos de reprodução e
sobrevivência do animal. É um inseto que precisa de água e vegetação, nem que
seja rasteira, para o desenvolvimento do seu ciclo de vida. Se montarmos um
mosaico na nossa mente e introduzirmos um campo de atuação do grilo aos
arredores da cidade, poderíamos facilmente imaginar que essas áreas destacadas
são áreas de ocorrência da espécie, pois havia vegetação rasteira e água próxima.
Desta forma, o que está ocorrendo é a degradação de habitat da espécie, o que
leva aos mesmos infestarem nossas casas a procura de abrigo contra predador,
pois a vegetação não existe mais. Se pensarmos em predador, de fato, viria o
sapo à mente, porém o sapo é um animal generalista, ou seja, come de tudo que
se mova à frente (quem nunca jogou brasa ou piúba de cigarro para ver o coitado
se dar mal?), ao mesmo tempo que, os dois têm hábitos noturnos, ou seja, saem
para paquerar a noite (por isso tanto “cri cri” e “weber”). Desta forma, o maior
predador do grilo são aves de hábitos diurnos (e quem já viu grilo cantar de
dia?), o que a vegetação rasteira faz é proteger o inseto do predador, não
tendo a vegetação, onde ele vai se esconder? Isso mesmo, no lugar mais
inusitado que você possa imaginar dentro das nossas casas (e esperar até a
noite para começar a cantoria).
Destacando
outra parte muito importante da cidade, o qual a Google não ajudou, é a
passagem molhada que liga a cidade ao Bairro Juremal.
Mais
uma vez, a linha azul é
o rio e, as áreas em vermelho, os locais de degradação. Esse é um local que,
particularmente, era para ser o lugar mais respeitado da cidade (quem leu os
livros de Aluisio Azevedo sabe o que eu falo!). Entretanto, o forte fluxo de
carro, moto e pedestres acabam fazendo esse espaço ainda mais degradado. As
pessoas passam sem preocupação ambiental alguma, sem a menor informação
ecológica do que acontece por esse curso d’água. Este local, que é lindo em
período de sangria, atualmente recebe efluentes domésticos in natura e a degradação por resíduos sólidos no entorno, o que de
fato, me envergonha. Mais um local de reprodução de grilos, porem, degradado.
Aí voce me diz, só o que tem é vegetação!! Ok, temos uma forte cobertura de
vegetação por causa da matéria orgânica que é lançada diariamente, a parte do
rio eutrofizada, faz com que o Oxigênio Dissolvido (OD) na água seja insuficiente
para a reprodução de ovos do inseto. Provavelmente, esses grilos sejam do resto
do curso do rio, não dessa parte.
Agora,
eu me pergunto: - Onde anda a secretaria de Meio Ambiente da cidade? Está
avaliando? É perigoso? O contato com o inseto contrai doenças? Está muito claro
a degradação a nível ecossistêmico do local. A cidade está desenvolvendo, mas
não sustentavelmente, onde a esfera ‘ambiental’ está em desequilíbrio. Há
tempos procuro informação sobre Lei Municipal, diretrizes ambientais municipais,
é mais difícil que água em deserto. Mas uma cidade polo, com barragem e suas
culturas (pscicultura, carcinicultura, etc.), com agricultura e outros meios de
produção, não enxerga a necessidade do equilíbrio ambiental é jogar pérolas aos
porcos. Gostaria de saber se há uma avaliação de impacto ambiental com a
instalação do IFRN, se há esse instrumento para todas as áreas citadas e ainda
por cima se há o simples pensamento de respeito em jogar ‘esgoto’ no Rio
Potengi? Partindo para a população, o que voce tem feito para preservar os recursos naturais da sua cidade?
Eu
posso ter me equivocado em várias partes do texto, pois posso não ter
informações suficientes para isso. Mas independente de tudo, se alguém quer
saber como anda desenvolvida a nossa cidade, me parece que estão construindo um
cemitério de grilos.
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