quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Coisas de dezembro

Depois de 2 anos mandando mensagens falando em saudade, resolvi ir lá. Chegando, tudo do mesmo jeito, no mesmo lugar, se ela tivesse mudado algo, era imperceptível, a tradicionalidade beira o umbigo, dependendo da pessoa chega até o pescoço. Conversa vai, conversa vem, chegamos a um pigarro que criei há quase um mês, seja do desgaste vocal em dar aula, da poluição atmosférica da capital, da vida corrida e ao mesmo tempo sedentária ou do último festival de música com bastante fumaça de cigarro que havia ido, no mesmo momento, ela achou um lambedor que tinha feito para alguém da família que talvez tivesse o mesmo problema, mas nao importava, ia servir. Entre a minha hesitação e preocupação em saber se na composição existia algo em que eu fosse alérgica, ela já tinha enfiado uma dose goela a baixo, servida naquela colher que parecia apropriada para isso e que na verdade era utilizada para zilhoes de coisas a mais. Enquanto eu sentia o gosto de infância do doce aveludado em minha boca, ela se preocupava em colocar para dentro um pingo que sobrou no canto da boca, qual fosse para completar a dose ou apenas para não sujar a roupa, raspando com a colher que agora estava passando pelo processo de higienização e armazenamento e que vai servir à outro ente em uma ocasião breve, certamente. O remédio, de período farmacocinético relativamente curto, fez efeito antes de minha partida, o pigarro foi curado. As avós são mágicas!

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