"O sol invadiu a sala, fez da TV um espelho, refletindo o que a gente esquecia"
Marcelo Yuka.
Meu amigo Pedro
havia passado a boa parte da noite acordado trabalhando em algo que ele gostava
bastante, com relação a isso não media esforços, e Pedro era muito esforçado,
sempre fizera suas atividades com gosto, poderiam não estar certas, mas a
atenção era sempre muito grande. Neste dia Pedro levantou ansioso, era dia de
um novo episódio da série que começara na semana anterior, – era meio de
semana, mas ele sabia muito bem contornar qualquer situação, no caso se algo
der errado por falta de tempo – ele não sabia se preparava algo para comer
durante o programa ou se deixava tudo para depois. Enfim, decidiu fazer algo
para comer durante o episódio! Pedro pensou em algo que fosse rápido, ele
gostava de comer bem e não era qualquer ‘miojo’ que lhe acompanharia. Resolveu
o que ia fazer e já foi logo colocando os ingredientes no fogo, no meio do
preparo sempre dava uma olhada na hora tanto para tomar base do cozimento
quanto para certificar-se de que já estava perto do inicio do programa, foi
quando o momento chegara. Pedro não era o tipo de gente que deixava a TV ligada
enquanto fazia outras atividades, também não gostava de programar, acabava
perdendo o interesse pelo que ia assistir. Pedro não era de televisão, na
realidade, ele era da leitura, porém aquilo que ia ver naquele dia fazia parte
das suas leituras diárias e ele se sentiu muito atraído. Pedro morava numa casa
pequena, poucos cômodos, poucos móveis, a sala era o maior cômodo, onde tinha
uma TV a poucos centímetros do chão, um colchão no chão, de frente para a TV e
o resto do piso cheio de livros empilhados, formando colunas deixando livres
caminhos para transitar pela casa. Atraído pelo programa e ansioso para o
próximo episódio, Pedro correu e foi ligar a TV, procurou o canal, ajustou o
áudio, a imagem, o colchão, o travesseiro e o lençol, preferiu ficar deitado de
mau jeito, quase sentado, com as costas encostadas na parede. Foi quando viu
que passara tempo demais para o início do programa e o mesmo não começara.
Enraiveceu. Não havia explicação, sem respirar, desligou a TV e foi em busca do
seu computador para procurar alguma resposta para aquela situação, levantou-se,
neste meio tempo viu seu reflexo passando na tela da TV, aquilo lhe chamara
atenção e fê-lo voltar, sentou-se um pouco mais a frente do colchão, onde não
conseguia encostar suas costas na parede. Ficou imóvel, admirando o reflexo,
não a si mesmo, mas ao reflexo da tela em si, nunca havia percebido o quão interessante era a TV desligada. Ainda imóvel, olhando fixamente para o
aparelho, sentado, com a coluna ereta, pernas cruzadas, estava absorto em
pensamentos. Permaneceu. Era como uma magia, uma hipnose. De repente, Pedro
notou que o seu rosto refletido na TV havia piscado os olhos, ficou sem
entender e não procurou entender, não havia fechado os olhos em nenhum momento,
ainda fixo, mas com a mente interrogando, Pedro viu a sua imagem na tela criar
asas, sentiu uma dor cortar suas costas, não se mexeu, seu olhar curioso estava
voltado para a tela, viu seu próprio corpo com asas enormes saindo de suas
costas, tentou se mover para mais perto, mas aquelas membranas pesavam e isso o
fez ficar ainda mais imóvel. Ficou se questionando como aquilo acontecera,
esqueceu, e voltou seu olhar para as asas, chamava muita atenção, lembrou que
um dia pensou em ter asas, mas não era daquele jeito, uma membrana fina e dura,
ressecada, sem carne, com aparência de ossos grande e que pesava, incomodava,
não era alivio como o de voar, passou muito tempo observando. Sentiu um
incomodo e tentou se mover para uma melhor adequação, balançou a cabeça e percebeu
em seu próprio corpo que não havia asas, nada de membranas, ele estranhou e
voltou o olhar para a TV, ainda como magia, o seu movimento fez com que as asas
desaparecessem. Percebendo a diferença do peso, sentiu um alivio vindo das
costas e o reflexo da tela se transformar numa luz brilhante, estranhou, não
havia ligado a TV, seus braços permaneceram imóveis a todo o tempo e os
controles estavam no mesmo lugar. Pedro tinha um jeito único de arrumar suas
coisas, herdado de familiares, de personagens de filmes, de livros, sua mesa
tinha sempre uma toalha para proteção e dava um ar diferente na cozinha, não
era detalhista, gostava de se divertir, usava a mesma por muito tempo, e a
atual já estava por lá há bastante, mas agora coberta por fogo e fumaça que
vinha da panela em cima do fogão deixada por Pedro para preparar sua comida.
Ele ainda absorto na tela da TV, não demorou muito para perceber, já que agora
nada mais era do que uma luz muito forte que refletia. Deu por si e correu, não
havia tempo para pensar, sua mesa era de plástico e a toalha de proteção era de
um pano muito fino que rapidamente fora engolida pelas chamas. Agindo por
impulso, Pedro se jogou por entre a fumaça vinda da cozinha, tentando achar a
porta do banheiro, onde encontraria a solução, encheu o balde com água pelo
chuveiro no qual era muito devagar, ele não tinha tempo e aproveitou para
tossir, além de procurar qualquer outra toalha que pudesse lhe proteger da
inalação da fumaça. O balde encheu e antes de sair deixou a torneira da pia
aberta para ir acumulando mais água, fez isso muitas vezes, deu trabalho, mas
Pedro conseguiu conter as chamas. Por fim, respirou, viu o que realmente tinha
acontecido, uma parte da sua mesa já não prestava mais, o seu fogão e a panela.
Pensou em ter encontrado o seu dia mais desatencioso.
Dina querida, impressionada com sua criatividade, gostei bastante do texto, porém sentir dificuldade na leitura, não sei se por causa das letras brancas ou se foi o tamanho, ou a extensão da mesma.
ResponderExcluirParabéns!
Ahh Gracinha, peço desculpas!!
ResponderExcluirEu tava pensando nisso dia desses, vou procurar melhorar..
Muito obrigada. =)